Em visita ao Brasil para promover um concurso de games, Yasuhiro Fukushima, presidente honorário da Square Enix, afirmou que quer iniciar as operações da empresa na América Latina a partir dos frutos gerados pela competição que a companhia japonesa está realizando na região.
"Nosso objetivo é procurar por talentos, mas não pensamos em contratá-los [como funcionários da empresa], ao menos no momento. Em vez disso, queremos firmar parcerias, fazer jogos juntos [com outros desenvolvedores independentes ou com empresas]", explicou Fukushima sobre o que a empresa pretende com o Square Enix Latin America Game Contest 2012.
Portanto, não espere a casa de "Final Fantasy" lançar por aqui suas grandes produções. Isso, se acontecer, será uma atividade secundária. Em vez disso, o principal negócio da empresa na América Latina será o de publicar jogos para celulares e para navegadores feitos por desenvolvedores locais.
O japonês traça um paralelo curioso, pois a Enix, uma das origens da empresa atual (e fundada por Fukushima), estreou na indústria de games em 1983 lançando 13 títulos para computador, frutos de concurso realizado pela companhia no ano anterior. Um dos vencedores foi Yûji Horii, que depois idealizaria uma das séries de RPGs mais populares do Japão, "Dragon Quest". Ele deseja repetir na América Latina o que foi feito no Japão há 30 anos.
Mudança de paradigma
Para Fukushima, a companhia vai apostar cada vez menos em grandes produções vendidos em embalagem, como "Final Fantasy" e "Tomb Raider", e se concentrar apenas nas principais propriedades intelectuais. A aposta para o futuro está nos títulos para celulares e nos jogos sociais, afirma ele com a autoridade de ser uma das 40 pessoas mais ricas do Japão, segundo a revista Forbes.
O presidente honorário se apoia em números, em que mostra um declínio do mercado de jogos em mídia física no Japão, e um aumento robusto de títulos para celulares e conteúdos adicionais para os mesmos. "Tem um jogo que lançamos agora, o 'Million Arthur', que fez cair o servidor na estreia", diz sobre o RPG de cartas lançado para iPhone e celulares Android.
Fukushima acredita que os melhores jogos são aqueles feitos na própria região em que é vendido. "Um dos motivos pelo qual pretendemos fincar base na América Latina é que, se o jogo é feito no Brasil, são os brasileiros que mais irão gostar dele", explica.
Sucesso para celular
- "Million Arthur" fez cair servidor devido ao grande número de acessos, diz Square Enix
A procura de um lar
Mas onde será montada essa "filial" da Square Enix na América Latina? O japonês conta que três países são candidatos: México, Chile e o próprio Brasil. Ele analisa que, aqui, há a vantagem de contar com uma população grande e ocupar uma posição geográfica estratégica na América Latina. O lado ruim? Os impostos, claro.
Perguntado se estamos longe de vermos um "Final Fantasy" traduzido para o português, como tem se tornado praxe nos últimos anos, Fukushima confidenciou que o time que fez "Final Fantasy XIII-2" está "curioso" em relação ao assunto, e pediu estudos de viabilidade. Igor Inocima, responsável por estudar o mercado brasileiro para a empresa, afirmou que o levantamento de dados é complicado por aqui, pois não há números oficiais.
O concurso
A primeira atividade que a Square Enix vai realizar na América Latina é o Game Contest 2012, que distribui prêmio de US$ 20 mil para o melhor game para celular (plataformas Android, iOS e Windows Phone) ou navegadores. Ainda, dois jogos serão premiados pela "excelência" com US$ 10 mil cada um e cinco ganham US$ 5 mil cada um se forem finalistas.
A homepage do concurso ainda diz que "os premiados e outros participantes talentosos terão chance de trabalhar como parceiros (...) da Square Enix para desenvolvimento de propriedades intelectuais". As inscrições começaram nesta sexta (20) e o envio dos trabalhos será iniciado em agosto.
Fukushima está apresentando o concurso em universidades paulistas e, neste sábado (21), falará na PUC (Pontifícia Universidade Católica) às 11h. A instituição fica à rua Marquês de Parananguá, 111, e a palestra ocorre no campus de Ciência e Tecnologia.
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